quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

MAL ENTENDIDO



O que eu vi na caatinga, muitos que moram na Capital viram e silenciário, acredito que assim permaneceram, para não desgostarem ou irem de encontro aos seus projetos de vida; as vezes egoístas, mas...projetos de vida.

Andando pelas trilhas feitas por carregadores de barril sobre o lombo de jumentos, eu era tão somente um seridoense que me alegrava igual aos meninos daquele tempo em tomar banho de açude, comer traíra, comer piaba, ver as chuvas chegarem acompanhadas de raios e trovões. Ouvi o tamborilar da chuva nas telhas quase vermelha, coloridas pela natureza, sábia mestra. As chuvas caiam com força e sulcavam a terra, tão minha, tão sua, tão nossa. As águas céleres, abundantes, iniciavam um novo canto de esperança para o agricultor sofrido, já haviam as secas interrompidas pelo equilíbrio permissivo da natureza, hoje revoltada, principal voz das terras ressecadas do descaso.

No Seridó do meu existir, naquelas paragens que não saem da minha lembrança e que me causa uma saudade profunda na alma, a esperança era permanente nas algarobas, nos juazeiros, nos cactos, na coroa- de-frade, no aveloz e em tantas outras plantas que habitam as caatingas chão querido e tão esquecido daqueles que estão investidos do poder. 

As preocupações com as nações que habitam o estado do Amazonas, é louvável, mas como esqueceram ou não quiseram lembrar dos nossos campos nordestinos. Dez milhões de vidas vivem no binômio incertezas e esperanças, como se fossem símbolo do teatro, uma máscara que chora e outra que rir.

Venham senhores, observem, a angustia do meu povo é crescente, aqui também no nosso Nordeste existem pedaços da África. 

Não posso contemplar a angustia silenciosa do meu povo, que não sabe a quem se dirigir e que vê seus dias se escoarem nos caminhos do senhor tempo, enquanto a carruagem passa e os cães ladrem. 

Eu presenciei também a terra do Sertão queimada pelo sol inclemente e duradouro nos períodos de estiagem. Quando digito esse texto, milhões de pessoas estão com os olhos voltados para o horizonte e para o comportamento da natureza, em busca de uma descoberta que sustente suas esperanças.

Assim é o dia dos nordestinos que estão trabalhando na terra, seja criando, seja plantando.

Não se pode entretanto, sustentar a esperança de um povo trocando votos por tijolos, telhas e alguns trocados. É preciso educar o povo para que ele cumpra a sua parte e entenda gradativamente que também aqueles que foram eleitos tem também suas partes a serem cumpridas na construção do Nordeste Rural, Nordeste Cidadão, Nordeste Brasil.

Favores eleitorais são passageiros, embora permaneçam como símbolos que abrigam vidas, à exemplo uma casa construída em troca de votos. 

O que pode ser feito, se o povo está acostumado com essa constância de tantos anos, em suas vidas de trabalhadores das terras nordestinas do Brasil?

Há dispositivos legais, há maneira de frear a curto prazo esse engodo do imediatismo?

Acredito que se o ciclo que se repete de favoritismo for transformado em abertura de escolas e meios de transporte para transportar alunos com uma fiscalização própria para isso, teremos uma nova perspectiva, uma nova realidade para o Nordeste brasileiro. Lembrando que haverá momentos que o transporte é dispensável.

Entretanto, antes de tudo, é preciso fazer a água que está no subsolo brotar, possibilitando a existência e não a sub-existência do homem dos campos nordestinos.

Isso que escrevo não é um sonho que não possa se tornar realidade, pelo contrário, depende de fatores decisivos dos políticos que tem visão humanista. 

A política tem vertentes partidárias e científica. É preciso desenvolver uma política humano-científica para a zona rural da região Nordeste do Brasil. Os nossos índices de desenvolvimento e equilíbrio humano são depreciativos, injustos, entretanto solucionáveis.

A solidariedade é um bem necessário, entretanto, ela ganha dimensões geradoras de humanidade e equilíbrio econômico, quando administrada com permanência, objetivando e colocando em pratica a permanência responsável.  

   

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